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Crônicas e Fotos

de São Joaquim da Barra

MAJOR CARDOSO E TONHO,CRIARAM RAÍZES EM SÃO JOAQUIM

Em 1905, a cidade de Nuporanga perderia um munícipe de muito prestígio, o Major Cardoso que ali fora delegado de polícia, membro do diretório do PRP e vereador.

   Ele também mudou-se para São Joaquim, comprando as fazendas Cachoeira e São José, vizinhas do meu sítio, banhadas pelo Rio Sapucaí. Logo que aqui chegou comprou a casa do doutor Esmeraldo, na esquina do largo da matriz . Aristides o mais velho dos filhos do Major Cardoso, montou uma venda na esquina em frente da casa de seu pai. Era nessa venda que o Tonho da pinta fazia suas compras para o mês, pois toda a sua família que ficara em Nuporanga, sempre fora muito ligada aos Cardosos.

   Foi nessa venda que Assuero, irmão de Aristides, com apenas 17 anos, deixou os habitantes da vila boquiabertos, ao instalar um telefone, em 1906, para conversar com seu pai na fazenda São José. Foi o primeiro telefone a funcionar na vila.

    Tonho da pinta certa ocasião perguntou ao Assuero se era verdade, a história que corria de boca em boca, de ter sido ele quem amarrara uma linha fina e preta no sino da capela e, à meia noite pusera a badalá-lo, assustando todo o povoado.  Assuero sorrindo desconversara, negando a autoria do acontecido. O fato é que ele e, o seu grande amigo Nato, companheiro de suas aventuras, foram os responsáveis pela brincadeira.

   Tonho em uma das suas idas à venda do Aristides, encontrara uma menina de uns dez anos, sua sobrinha, chamada Jupira. Deu esse nome à sua filhinha, que nasceria em breve, pois se encantara com sua beleza e desembaraço. Tonho muitas vezes ficava a cismar com seus botões, pensando como Deus ia ajeitando as coisas, para que acontecessem certinho na sua vida. Nem bem nascera a sua filha, já fora informado pelo seu vizinho Manoel Gouveia, que a vila teria em breve uma escola feminina. A professora seria a senhorita Ruth Guarany de Almeida, filha do capitão Faustino Correia de Almeida. Vieram eles da vizinha cidade de Santana.

   Em 1906 no mês de julho, o seu amigo senhor Joaquim Carrara  também mudar-se-ia com a família para São Joaquim. Continuava em curso o êxodo dos moradores de Nuporanga.

   No final desse ano, em 31 de outubro, houve um acontecimento muito comentado que consternou toda a região, a morte de dona Maria Paula Franco Junqueira, viúva do lendário cap. Francisco Marcolino Diniz Junqueira. Ela foi enterrada no cemitério de São Joaquim, ao lado do túmulo de sua nora Dona Genoveva Angélica Teixeira Junqueira, que falecera no ano anterior.

   Tonho sentia-se cada vez mais joaquinense  e, esperava viver muitos anos acompanhando o progresso da cidade que adotara como sua .

     

Em junho de 1906, João Miguel de Lima doou um alqueire de terra para aumentar a área do cemitério. Na foto vemos o terreno a ele reservado para sepultar nele elementos de sua família.

 

 

 Família do Sr. Joaquim Carrara que chegou a São Joaquim em 1906. Na foto Amélia com o Eskemir (Bilo), no colo, Genoveva e o Fausto. O Sr. Joaquim e Alfredo.  SENTADA : Dona Antônia , entre as meninas Nair e Helena.   

 

No nosso cemitério um grupo de sepulturas perpétuas, as primeiras de nosso cemitério inaugurado em 1903. O túmulo cor de terra é de 1909, da mãe do Major Cardoso. Os túmulos que ficam depois da cruz também cor da  terra são da dona Genoveva Angélica Teixeira Junqueira esposa do Coronel Orlando Diniz Junqueira, falecida em 23/01/1905 e ao lado está o túmulo de Dona Maria Paula Junqueira Franco, falecida em 31/10/1906, esposa do Capitão Chico.

 

 

TONHO DA PINTA, QUASE UM JOAQUINENSE

Hoje 15 de agosto de 1904, ia ser um dia de festança no arraial, por ser o dia do seu padroeiro. Antônio sabia que nela não haveria de faltar animação e entusiasmo. Era esse o motivo de estar ele indo de trole para São Joaquim, agora acompanhado da querida Maria e de um filho de quase um ano de idade.  O menino tinha o nome de Joaquim, uma homenagem dele à vila que o tornara tão feliz. Maria tinha preparado uma sacola com frango, farofa e lingüiça, levava ainda outra sacola maior, cheia de lima e mexerica, pois sabiam que a volta seria depois da meia noite. As frutas eram para os parentes da sua esposa que residiam na povoação. Ainda bem que estavam no tempo de lua cheia. De fato, na volta o luar lhes permitiria divisar o caminho com segurança.    Ao voltarem, comentavam animados sobre a inauguração das duas capelas.

A construída pelo médico dr. Esmeraldo, ao lado de sua bela casa e a outra bem maior no largo,a capela do Berto Cernack que fora iniciada em 1901e recebera modificações Lembraram os atos religiosos realizados pelo padre Macário Monteiro, vindo de Sertãozinho. Comentaram sobre a procissão que estivera uma beleza, um mundaréu de gente do povo e várias outras figuras importantes da política e do comércio, fizeram parte da mesma. À noite a festa havia sido ainda mais bonita, com a queima de fogos de artifício, com o espocar dos rojões, com os acordes das bandas de música, das prendas do animado leilão e principalmente da forma entusiasta com que o leiloeiro Joaquim Nobre conduzia os lances. A povoação, nesses seis primeiros anos de vida, já tinha conseguido grandes conquistas: a agência do correio, instalada em 1903, tendo como gerente o senhor João Cernack; a eleição do Juiz de Paz dr. José Esmeraldo, também em 1903; a banda do maestro Salvatore Principale; a criação do Distrito Policial, com o seu delegado o senhor Francisco Pedro Fernandes e a inauguração do cemitério. Uma das grandes preocupações do Antônio quando chegou ao povoado era a ausência de escolas, pois não queria ver o seu filho chegar à idade adulta analfabeto, como acontecera com ele. A vila já possuía desde 1902, uma escola municipal masculina, sob os cuidados do professor Antônio Rodrigues dos Santos. A partir desse ano de 1904, começou a perceber que, como acontecera com ele, muitas famílias de Nuporanga  começariam a mudar-se para São Joaquim.

 

                                                                       


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