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Crônicas e Fotos

de São Joaquim da Barra

A ESTRADA DE FERRO

Analisando o alvorecer dos novos meios de transporte lá pelos idos de 1900, iremos perceber a importância das ferrovias no desenvolvimento do interior do Estado de São Paulo. Foram as responsáveis pelo nascimento de muitas cidades ao longo de sua estrada, enquanto iam infiltrando-se pelo coração do Brasil. Na nossa zona bem antes do aparecimento do automóvel e do caminhão, foi a ferrovia a responsável pela exportação do nosso café, rumo ao porto de Santos. Já em 1892, dez anos antes da Mogiana chegar a São Joaquim, o café da nossa região era escoado pelos trilhos dessa mesma estrada de ferro, que passava por Batatais. “Eram na verdade sete léguas de chão a serem percorridas, para que os moradores da fazenda São Joaquim e, dos seus arredores, pudessem entrar em contato com o mundo civilizado e com o mercado europeu.

   Eram sete léguas a serem vencidas levando mercadorias nos carros de boi, usando estradas em estado precário de conservação, dificultando também o transporte do maquinismo importado pelos fazendeiros, tão necessário para o benefício do café, eram estradas esburacadas, poeirentas, quase intransitáveis dificultando o nosso progresso”

( Trechos do livro Crônicas de Outrora, de Antônio de Almeida Prado)...

   Todos esses transportes realizados pelos fazendeiros da região constituíram-se em épicas e heróicas jornadas.

   A Mogiana como se fora um bandeirante moderno, a todo vapor, paralelamente aos cafezais, ia abrindo sulcos com base em dormentes, sobre os quais assentava os seus trilhos de ferro, dando vazão às riquezas produzidas e conduzindo ao mesmo tempo imigrantes europeus e brasileiros. Em 1904, quando nem se falava ainda em automóvel, já se comentava com entusiasmo, na recém inaugurada Estação da Mogiana, sobre a intensa movimentação das cargas e descargas de mercadorias, importadas ou exportadas enchendo seus armazéns.

   Através dela foram importados da Alemanha , em 1910, os materiais necessários para a construção e término da Usina Hidroelétrica, às margens do rio Sapucaí.

   Com o decorrer do tempo, os trilhos das ferrovias que permitiram importar e exportar tanta mercadoria  e gente, tantos sonhos e esperanças, em dado instante, não só por aqui, mas em todo o Brasil, começaram a ser substituídos pelas estradas de rodagem, com seus caminhões, ônibus e carros de passeio.

   Em São Joaquim os seus trilhos que cortavam a cidade ao meio, começaram a aborrecer os joaquinenses, por atrapalharem o trânsito.

   Em 6 de março de 1979 seria inaugurada uma variante, para cargas e descargas, passando por fora da cidade, no final da AVENIDA CEAGESP, no número 1500. Em10 de maio de 1979 passaria em definitivo a substituir o antigo ramal Igarapavense. Em setembro de 1997 cessou o trajeto de passageiros pela variante. Atualmente nesse ano de 2010, lá estive e encontrei a Estação em ruínas.

   Assim como os carros de bois, os troles e carroças, o trem de ferro, na nossa região, foi ficando na saudade.

   Enquanto os enormes caminhões modernos, os imensos ônibus de hoje, bem como os inúmeros carros de passeio transitam pelo cinza do asfalto, os trilhos de ferro sobre os dormentes sentem-se esquecidos, quase sem movimento, quase inúteis.

O bebedouro que se vê na foto, bem à direita, é de muita importância histórica,foi doado em 1924 á Pefeitura Municipal, pelo sr. Manoel Damásio Ribeiro, para dar de beber aos burros e cavalos.  Suas instalações estiveram a cargo do sr. Antônio Tuzzi e o sr. Mário Marcovich . Hoje ele está do outro lado da Estação, ao lado das figueiras Foto de 1984

 

A foto mais antiga da nossa Estação da Mogiana ( 1902 )

 

A ponte da Estrada de Ferro da Mogiana, no rio Sapucaí. Pela primeira vez seria possível uma via de comunicação mais rápida de São Joaquim com as cidades de Guará, Ituverava e Igarapava. ( Foto 1901)

 

 

Uma bela foto da Estação em 1910, por ocasião da chegada de materiais da Alemanha para a Usina de Força e Luz que o engenheiro Dr Flavio de Mendonça Uchoa estava construindo no rio Sapucaí em terras compradas do Major Cardoso.

 

Outra vista da Estação da Mogiana na década de 20

 

Na década de 40 era muito grande o embarque de café para o porto de Santos.   Na foto aparecem carroceiros que ensacavam os cafés nas máquinas beneficiadoras e as transportava em carroças para serem embarcadas. Na foto vemos os carroceiros: José Pipoqueiro – Antônio Barqueti - João Gomes – Dito Preto – Adelino Maito e João Turco.

 

Casa construída para a morada dos chefes da Estação da Mogiana, edificada em 1908. Ela conserva até hoje, externamente, as suas linhas arquitetônicas originais.

 

Mário Marcovig, tendo à sua esquerda o Sr.Antônio Tuzzi, com um cano na mão. Foram eles os responsáveis pela instalação do histórico bebedouro que matava a sede dos animais, no Largo da Estação. Hoje ele está deslocado do lado dela lá, na Praça das Figueiras e continua dando de beber a burros e cavalos.

 

Na rua do Comércio, depois de 1930, foi colocada uma porteira que era movimentada quando o trem passava. Localizada bem em frente à  casa que era reservada para a morada dos chefes da Estação.Ao seu lado ficava essa placa cobrando uma multa de 5 mil  réis . Multa que nunca ouvi dizer que alguém tivesse pago.

 

O fotógrafo José Henrique Maríncolo, fez nessa foto uma montagem, para que visualizássemos como seria “ A Maria Fumaça” saindo de nossa Estação

 

 

Normalmente ao chegar à Estação a primeira coisa que se fazia era olhar no quadro que ficava no saguão da mesma, procurando saber qual o tempo de atraso do trem.

 

Na rua Bahia, ficava essa tabuleta “ Pare , Olhe , Escute “, pare que os veículos e transeuntes fossem alertados ao atravessar a linha da estrada de ferro. Foto de 1929

 

 

Largo da estação (Praça Francisco Stupello), numa foto em preto e branco tirada em 1985. Hoje, decorridos apenas 25 anos o aspecto é bem diferente.

 

 

Na década de 80 começou a desaparecer quase tudo que recordava o Conjunto Arquitetônico da Companhia Mogiana. Foram embora seus trilhos, acompanhando o novo traçado que passava fora da cidade.Nessa foto de 1985 vê-se o estado de abandono da Estação e as casa dos seus funcionários no fundo. Casas que hoje já não existem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                         


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