Apoio:

Crônicas e Fotos

de São Joaquim da Barra

NOSSO PRIMEIRO CURANDEIRO

Se, ainda hoje, procura-se, por ser um hábito enraizado na nossa cultura brasileira, o conhecimento empírico dos donos de farmácia ou dos curandeiros, no desespero de curar doenças crônicas ou doentes desenganados, calcule a influência desses elementos no começo do século XX, quando nascia o povoado de S. Joaquim.

   Os primeiros que aqui chegaram para aliviar o sofrimento físico dos joaquinenses, foram: o curandeiro Francisco Alves Ferreira, famoso em toda a região e o farmacêutico Caetano Gramani.     Francisco Alves Ferreira, mais conhecido por Chico Alves, era avô dos práticos de farmácia, Sebastião Alves Ferreira (Filinho) e Riolando Alves Ferreira. Filinho foi por quase 50 anos proprietário da Farmácia Globo e Riolando foi dono de farmácias em nossa cidade.

   Chico Alves atendia os doentes indo a cavalo ou de trole, levando suas “garrafadas” e os ungüentos milagrosos. Veio ele de Batatais, chegando numa época em que a maleita e o impaludismo dizimavam muitas vidas.Com suas famosas poções levava esperança a muitos.  Ele residia numa esquina, no largo da matriz, em frente ao atual prédio do Banco Itaú e o da relojoaria Zelesnikar.     Pertencia-lhe também uma grande extensão de terras, ao redor de sua casa, rumo ao cemitério.

   Quando em 1914, os joaquinenses procuravam realizar um de seus maiores sonhos, a abertura da Avenida do Cemitério e, conseqüentemente, a construção da ponte sobre o córrego S. Joaquim, foi ele o primeiro a negociar parte de seus terrenos, necessários para a realização de tais empreendimentos.      Foi político atuante, pertencia ao sub diretório União do PRP, junto com Manoel Trindade da Silva, José Martins de Araújo, José Francisco da Silva e Manoel Gouveia de Lima.

   Em 1916, quando o PRP tinha dois diretórios, o União presidido pelo sr. Manoel Trindade e o “novo velho “ diretório, presidido pelo Major Cardoso, a política do povoado ficou acirrada.     Eram tantas as intrigas e os “diz que diz”, que a certa altura, o senhor Chico Alves num artigo que ocupou toda a primeira página do jornal”A Tribuna”, desistiu da vida pública, renunciando o cargo de membro do diretório União, desiludido diante de tantas mesquinharias políticas.

   Morreu em 2 de junho de 1921, na vizinha cidade de Guará.     Após sua morte, seu genro Raul Barbosa loteou os seus terrenos perto da praça, rumo ao cemitério.

   Foi o primeiro loteamento lançado em nossa cidade. O jornal da época assim anunciava a 8 de fevereiro de 1925:

 

                                                  VILA FRANCISCO ALVES

   A um quarteirão do Largo da Matriz, dividido em lotes que serão vendidos a prestação e ao alcance de todos, 24 meses de prazo. Para maiores informações dirigir-se à agencia, à rua da Estação , 22.      Escritório Raul Barbosa.

Os três irmãos farmacêuticos netos do curandeiro Chico Alves: no meio, Sebastião Alves Ferreira, mais conhecido por Filhinho, foi por muitos anos dono da Pharmácia Globo. Era prático de farmácia, casou com a farmacêutica Elzira Reis; Riolando que foi dono das farmácias São Paulo e São Judas Tadeu e Airton, com farmácia em Ituverava, à sua direita.  

Sebastião Alves Ferreira e sua esposa Elzira Reis, com a neta no meio.  João Leny ao lado de sua esposa Miralda e seu irmão José Milton.  

 

 

 

 

 


Voltar