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Crônicas e Fotos

de São Joaquim da Barra

HISTÓRIA QUE PODERIA SER CONTADA, NO FINAL DO SÉCULO XIX, PELO SENHOR MANOEL DAMÁSIO RIBEIRO.

Para Manoel Damásio Ribeiro,sua querida terra natal, Ramalheiros, na freguesia de Mira, era a fiel e distante companheira,como se fora uma foto viva inserida em sua memória e emoldurada por uma saudade doída, sempre constante. Estava sempre pensando como eram contrastantes os rumos da vida.      Ele ali naquela terra estranha, naquele sertão feroz e a sua lírica Ramalheiros dentro do Portugal querido. Pátria escondida além mar, de lembranças tão doces.

    Somente a presença da sua Maria e do seu filhinho Juca o tornava menos saudoso.

    Talvez fossem eles os responsáveis por aquele seu olhar meio ambicioso, disposto a enfrentar as agruras do desconhecido, a desbravar os mistérios das coisas selvagens e, realizar os anseios de aventuras  que lhe iam na alma.

Um olhar profundo, alimentando-se com o fascínio do imponderável.

   Um dia a história falaria do espírito pioneiro deste jovem português.    Seus vinte e sete anos repletos de tanto sonho e inquietude, escolheram aquela venda no Capão do Descanso, nas imediações de Nuporanga e Batatais, em terras da fazenda Ventania, como um recanto de sossego e espera.

   Uma pequena parada em sua vida, um pequeno hiato que não iria durar muito.

   Embora fosse uma venda isolada o trabalho era bastante árduo, principalmente para sua Maria, sempre atarefada e meio assustada.        Ajudando o Damásio a servir a freguesia entrava em contato com homens de todo o tipo. Homens afastados do convívio social, embrutecidos pela vida.    Seres humanos ilhados, isolados num fim de mundo.    Alguns mal encarados, muitos bebiam demais.

   Até o Dioguinho, o famoso facínora, matador por encomenda, aparecia na venda algumas vezes.    O jovem português começou a ficar preocupado, pois em conversa com sua esposa percebeu estar ela cansada da solidão e medrosa por viver naquele local tão ermo, isolado de tudo. 

  Uma bela madrugada deixaram para trás as terras do Capão do Descanso, rumo ao Capão do Meio, pois era esse o nome da gleba arrematada por José Esteves de Lima, por onde passaria o trem de ferro.  De carro de boi, numa viagem de mais de três dias, Damásio ia pensativo, ruminando saudades de Portugal e acumulando esperança na cidade que provavelmente veriam nascer.    Chegaram, quase tudo ermo, apenas uma venda isolada divisaram ao longe.     Era a venda do senhor João Baptista da Silveira beirando a estrada para o povoado de Santana.    Damásio fez rapidamente a escolha do lugar para a construção de sua residência e venda.    Foi uma escolha rápida e sábia.     Sábia por estar localizada à beira da estrada que vinha de Nuporanga para Santana, ao lado de duas palmeiras, dando um toque poético ao local.     Estava também a apenas 300 metros do local reservado para a construção da Estação da Estrada de Ferro.   Damásio, Maria e o filho Juca arrancharam-se sob uma árvore frondosa, com um grande galho caído, lhes permitindo um melhor abrigo.    Ali ficaram à espera da construção da venda.   Estava lançada a primeira semente no terreno que os sitiantes, quase todos vindos das Minas Gerais, antigos moradores da região, haviam ajudado a arrematar.

Foto de 12/06/1959, onde aparece o Sr.Tonico descobrindo o busto de seu pai, Manoel Damásio Ribeiro, por ocasião da sua inauguração.. 

Casa Damásio após a sua reforma em 1952. Na sua frente vê-se o Sr. Leça, tendo ao lado sua nora Mariazinha e sua concunhada Tota e seus dois filhos.( Esquina onde hoje está a casa de Confecções Moleza )

Casa Damásio, construída em 1902, substituindo a construção de 1896     

No desfile de 06/12/1952, quando se comemorou o cinqüentenário da elevação de São Joaquim a distrito de paz, o senhor Manoel Damásio Ribeiro abriu o desfile em cima desse jipe. Ao seu lado aparece a filha do sr. Joaquim de Souza. Na outra foto, no jipe, do lado de fora, vemos o comerciante José Casemiro da Silva Leça, genro do sr. Damásio.

Tonico lendo os dizeres gravados abaixo do busto de seu pai: “Manoel Damásio Ribeiro um dos fundadores de São Joaquim da Barra”

                                 

                                

                                               


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