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Crônicas e Fotos

de São Joaquim da Barra

UM PAULISTA, NA FAZENDA SANTA IZABEL, CERCADO DE MINEIROS

No início do século XIX, a presença de paulistas no sertão do Rio Pardo era escassa. Quase todos os donos de terra na região eram  entrantes mineiros. Um dos poucos paulistas, dono de terras em nosso atual município, foi o engenheiro Dr. Francisco de Almeida Prado, vindo de Itu. A fazenda Santo Antônio, na divisa com Nuporanga, teve a  primeira audição de sua Divisão e Demarcação promovida pelo Dr. Francisco de Almeida Prado, realizada na vila do Espírito Santo de Batatais ( atual Nuporanga ) a 2 de maio de 1891. Esta divisão tinha por objetivo destacar a área denominada fazenda Santa Isabel, por ele adquirida, das áreas pertencentes aos Pereira Lima.     

 

   “A fazenda Santa Izabel, propriedade de meu Pai, onde passei a minha primeira infância e parte da juventude, distava cerca de sete léguas de Batatais, da estação da Mogiana que nos punha em contato com o mundo civilizado.   Durante dez anos, 1892, data da compra da fazenda, até 1902, quando o ramal de Santa Rita do Paraíso chegou a São Joaquim, éramos do ponto de vista de locomoção, tributários de Batatais.    Sete léguas para tomar o trem, sete léguas para receber correspondência e encomendas, e sobretudo, sete léguas para o escoamento das safras cafeeiras, conduzidas através de péssimas estradas em marchas, pautadas pelo passo tardo de bois, foram sete amarguradas léguas para sempre gravadas nas minhas impressões infantis.    No entanto, o carro de boi chegou a ser o meu enlevo daqueles tempos remotos.    O espetáculo da chegada, à tardinha, dos carros que levariam o café beneficiado para o embarque, era uma festa para minha curiosidade.    Na manhã seguinte saía frota carregada, e eu madrugava para não perder um só dos aprestos da partida.       Acompanhava passo a passo a  manipulação dos carreiros e, só me afastava quando não ouvia o canto choroso dos carros que sumiam  imersos numa avassaladora nuvem de pó.    A boiada solta no terreiro, oitenta a cem bois, enchia o ar de mugidos surdos de gado indiano.   A tarefa de jungi-los à canga se executava rapidamente.    Cada candeeiro chamava os seus bois e os conduzia para as respectivas posições: a junta de guia, a do pé da guia, as do meio, as da chaveia e a do coice.  

   A falta de estradas praticáveis retardava toda possibilidade de progresso.

   Ao se montar, anos depois, máquina para o benefício do café na fazenda, surgiu uma dificuldade de vulto.    A máquina “Mac-Hardi”, então em voga, além do seu grande número de peças, trazia um sólido vapor assentado sobre dois pesadíssimos pares de rodas próprios para movimentá-lo em estradas dignas desse nome.    Mas, no caso vertente, como trazê-lo da linha férrea?    Foi necessário distribuir o vapor e as rodas, em diversos carros de boi, gastando-se, depois, oito dias de percurso, para trazê-los até a Fazenda, tarefa hercúlea para a mesquinhez dos meios disponíveis.” (do livro Crônicas de Outrora do médico Dr. Antônio de Almeida Prado, filho do engenheiro Francisco de Almeida Prado)

 

Foto do Sr. José Octávio de Almeida Prado, irmão do Dr. Antônio, que herdou a fazenda Santa Isabel e foi vereador na primeira legislatura da cidade, em 1918.

 

Foto do Dr. Antônio de Almeida Prado. Médico que aqui clinicou em 1914, quando construiu na esquina da Praça 7 de setembro,uma casa que até hoje guarda muito dos seus traços de origem. Ao seu lado sua esposa D. Zilda Junqueira de Almeida Prado.    

Foto do ano de 1925 – Casa edificada pelo Dr. Almeida Prado, onde residiu por um ano. Mudou para São Paulo convidado para lecionar na Faculdade Paulista de Medina . Nela passou a morar o Dr.Olímpio Macedo que por muitos anos seria presidente da Câmara Municipal

 

Foto ano 2000- A mesma casa remodelada pelo Dr.Edgard de Brito, que conservou externamente os mesmos traços de origem.

 

 

                                  


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